O inversor é o cérebro do sistema fotovoltaico. Converte a corrente contínua (CC) produzida pelos painéis em corrente alternada (CA), que alimenta a casa e, quando sobra, é injetada na rede. Além de converter energia, monitoriza a produção, protege o sistema e otimiza a produção em tempo real. Escolher bem o inversor é tão importante como escolher um bom painel.
O que faz um inversor
Os painéis produzem CC, mas os equipamentos e a rede funcionam em CA a 230/400 V e 50 Hz. O inversor faz essa conversão com uma eficiência muito elevada, normalmente acima de 97%. Ao mesmo tempo executa o seguimento do ponto de potência máxima (MPPT), ajustando tensão e corrente para tirar o máximo dos módulos a cada instante. Os inversores atuais oferecem ainda monitorização por aplicação, limitação de injeção na rede e desligam-se automaticamente quando a rede falha.
Tipos de inversor
O tipo depende do que o sistema tem de fazer:
- Inversor de ligação à rede: o mais comum em autoconsumo. Funciona em paralelo com a rede: a casa consome primeiro a energia solar e só compra à rede o que falta.
- Inversor híbrido: junta a ligação à rede com baterias. Guarda o excedente do dia para a noite e, em muitos modelos, mantém circuitos essenciais durante falhas de rede.
- Inversor off-grid: para locais sem rede, como casas de campo e montes isolados. Trabalha só com baterias.
- Microinversor: um pequeno inversor por painel (ou por par de painéis). Reduz o impacto do sombreamento, aumenta a segurança (não há CC de alta tensão no telhado) e facilita a ampliação.
String, microinversor ou otimizador?
No inversor string, vários painéis ligam-se em série a um único inversor — a solução mais económica para telhados sem sombra e bem orientados. O microinversor trabalha painel a painel, ideal com sombreamento parcial, telhados com várias águas ou quando se procura a máxima segurança. O otimizador de potência é um meio-termo: mantém um inversor central, mas junta um módulo eletrónico a cada painel para reduzir perdas por sombra e permitir a monitorização individual.
Como escolher a potência do inversor
A potência do inversor (kW) deve ser compatível com a potência dos painéis. É normal trabalhar com uma relação CC/CA entre 1,1 e 1,3 — um pouco mais de potência em painéis do que a nominal do inversor. Verifique também:
- Fase: monofásico para instalações monofásicas (a maioria das habitações), trifásico para ligações a 400 V.
- Potência contratada: a potência da UPAC está ligada à potência da instalação de consumo; confirme com o instalador antes de escolher.
- Número de MPPT: mais MPPT permitem painéis em águas com orientações diferentes.
- Requisitos de ligação à rede: o inversor deve cumprir o Regulamento (UE) 2016/631 e normas como a EN 50549-1; peça o certificado de conformidade.
- Garantia e assistência: 5 a 12 anos, com assistência técnica na Europa.
O inversor tem de estar alinhado com os painéis e, em sistemas com armazenamento, com a bateria. As regras para ligar o sistema estão em Autoconsumo em Portugal.
Que inversor serve para cada caso
| Tipo | Bateria? | Indicado para |
|---|---|---|
| Ligação à rede | Não | Autoconsumo em casas e empresas |
| Híbrido | Sim (opcional) | Guardar o excedente e ter reserva |
| Off-grid | Sim (obrigatória) | Locais sem rede elétrica |
| Microinversor | Não | Telhados com sombra ou várias orientações |







